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ARosadoPovo

作者:admin    文章来源:盐田区外国语学校    更新时间:2017-10-14

A Rosa do Povo
autor: Carlos Drummond de Andrade

RESUMO
Drummond é o maior poeta da literatura brasileira ao lado de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Seu aparecimento nas letras nacionais, em 1930, comprovava a maturidade da estética modernista entre nós. No entanto, o poeta conseguiu imprimir marcas pessoais ao modernismo. De um lado, na postura mais desconfiada diante do deslumbramento pela cidade grande que os modernistas sempre demonstraram. O progresso sempre mereceu do poeta mineiro um tratamento entre a ironia e o desprezo. 
De outro lado, pelo sistemático desrespeito ao ambiente nacional por excelência, a vida no campo, diante da qual Drummond sempre assumira uma posição crítica. Descontente no campo e na cidade, ele encarnará a figura prenunciada no primeiro poema de seu primeiro livro: o poeta gauche, expressão do incômodo diante da vida e do mundo.
Se nos primeiros livros evidenciou uma forte marca subjetiva em seus poemas, ao longo dos anos 1930 foi se abrindo cada vez mais para experiências de contato social, de coletivização. Algumas das causas dessa mudança de posicionamento estão ligadas ao contexto social de iminência da guerra na Europa e endurecimento do regime de Getúlio Vargas no Brasil. 
O livro A Rosa do Povo é o marco mais consistente desse momento da carreira de Drummond. Nele, o poeta dá forma literária ao compromisso ideológico assumido em sua vida pessoal. O mineiro assumiu a posição de co-diretor do jornal Tribuna Popular e de porta-voz do Partido Comunista Brasileiro, comandado por Luís Carlos Prestes, que convidou Drummond para a função.
A coletânea é constituída por 55 poemas, que representam as principais linhas temáticas do poeta. Tais linhas foram definidas por ele mesmo, ao organizar uma coletânea de sua obra em 1962. Naquela ocasião, Drummond dividiu sua produção em nove temas: o ponto de partida era o indivíduo, envolvendo a relação com a cidade natal e a família. O leque se amplia no contato com os amigos, com a sociedade e com a experiência amorosa. Essa colocação no mundo se dá sempre na condição de poeta, razão pela qual a poesia se torna um tema fundamental, inclusive no que ela possa ter de inovação, na tentativa de expressar a perplexidade diante do mundo.
Embora todos eles estejam representados em A Rosa do Povo, isso ocorre de forma irregular, já que as temáticas do indivíduo, da sociedade e da poesia aparecem de forma mais contundente. Essa circunstância conduz a uma conclusão geral sobre a obra: o livro traça uma relação entre o indivíduo e a sociedade, relação que ocorre por intermédio da poesia.


CONTEXTO
Sobre o autor
O primeiro livro de Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia, foi lançado em 1930. A qualidade dessa poesia de estreia já prenunciava o lugar de destaque que o poeta ocuparia na literatura brasileira. Herdeiro dos modernistas, Drummond mantém o coloquialismo e a preferência pelos versos livres, acrescentando sua nota pessoal na visão desencantada do mundo.
Importância do livro


A coletânea de poemas de A Rosa do Povo, publicada em 1945, apresenta uma marca política profunda, sem cair necessariamente na exposição superficial de princípios ideológicos. Trata-se de uma obra voltada para o registro de um momento histórico preciso, mas que transcende esse momento, alcançando todas as épocas e lugares em que ocorra a luta contra a opressão do indivíduo.
Período histórico
Os poemas de A Rosa do Povo foram escritos, em sua maioria, entre os últimos anos da década de 1930 e os primeiros da seguinte. É uma época de fortes abalos sociais: a guerra na Europa e o Estado Novo de Vargas no Brasil.


ANÁLISE
O lirismo, a expressão pessoal de sentimentos, está presente no livro, inclusive da perspectiva de quem assume a condição de poeta e reflete sobre ela. Mas a obra assume uma tonalidade social na expressão do engajamento político explícito do poeta.
O título do livro traz uma dupla sugestão. A palavra rosa é um símbolo tradicional do socialismo, mas, além disso, é uma imagem convencionalmente associada à poesia. Assim, a obra se apresenta como instrumento de expressão de anseios populares. Ocorre que, como em muitos outros livros do autor, certezas desse tipo nunca são completas, o desejo de comunicar-se com o outro e fazer-se coletividade se torna um questionamento. Afirmações categóricas são substituídas por interrogações provocativas: a comunicação com o outro é realmente possível? A poesia pode ser a voz do povo? Nas sugestões de respostas para essas questões, convivem a esperança e o ceticismo.


A palavra indivíduo significa indivisível. No entanto, em A Rosa do Povo, o indivíduo aparece fragmentado, perturbado por seus dilemas pessoais. Uma saída esperançosa se dá no esforço de integração com o social. Mas essa integração se dá ainda sob a marca do individualismo, o que leva o poeta a transformar o intimismo em um dilema coletivo: “Preso à minha classe e a algumas roupas”, diz ele em “A flor e a náusea”. No mesmo poema, outra afirmação contundente: “Vou de branco pela rua cinzenta”, remetendo à imagem do poeta gauche referida anteriormente, cuja relação com o social é sempre problematizada. Parte da fragmentação do sujeito se deve ao poder corrosivo do tempo e da memória que age sobre ele, tornando sua poesia um depositário de lembranças pessoais.


As relações afetivas são expressas em poemas que tratam da família, do amor e dos amigos. Pela família, o poeta manifesta um misto de aceitação e repulsa em “Retrato de família”: “meus parentes? Não acredito”. A amizade é celebrada como forma de estabelecer vínculos e evidenciar identificação com aqueles a quem se refere, como ocorre em “Mário de Andrade desce aos infernos” e “Canto ao homem do povo Charlie Chaplin”. Por fim, o amor aparece sob o registro irônico, voltado principalmente para a paródia do sentimentalismo romântico: “Mas, se tentasse construir / outra Fulana que não / essa de burguês sorriso / e de tão burro esplendor?”.
Um dos poemas mais emblemáticos de toda a obra de Drummond aparece aqui: “Procura da poesia”. Nele, o poeta se manifesta contra a poesia referencial, isto é, que trate de aspectos alheios a ela própria, como sentimentos e fatos. Em seu lugar, propõe uma poética de pesquisa da linguagem.
Essa postura não deve, nem de longe, ser confundida com distanciamento do mundo. Ao contrário, a temática social é uma das linhas de força do livro. A crítica ao capitalismo fica explícita em versos como estes, de “Nosso tempo”: “O poeta / declina de toda responsabilidade / na marcha do mundo capitalista / e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas / promete ajudar / a destruí-lo / como uma pedreira, uma floresta, / um verme”. E convive com as líricas de guerra em poemas como “Com o russo em Berlim” e “Telegrama de Moscou”.
Do ponto de vista formal, percebe-se a herança modernista no predomínio dos versos brancos e livres. Quando ocorre a regularidade métrica, esta é seguida sem muito rigor. Nota-se ainda uma mescla de estilos, na qual o coloquialismo – também herança modernista – convive com um registro linguístico mais erudito.

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